A casa andante

31 Maio, 2008

Havia certa vez uma casa lá bem no fundo de uma rua, era rodeada de prédios grandes, robustos e inabaláveis, porém, sem cor, nem vida, no fundo eram totalmente feios.

    Na casa havia aulas de artes marciais para o aprendizado de jovens, adultos e até crianças, para que pudessem saber se defender e se alongar, ou algo do tipo. Eu nunca soube bem o que havia lá dentro, na realidade, eu nunca entrei, apesar de precisar, a época em que eu aprendi que o mundo tem lugares muito perigosos de se estar sem saber se defender. Então eu decidi matricular meu filho lá, mas como a matrícula foi feita via internet, acabou que eu nunca entrei na casa.

     Nós, eu e meu filho, morávamos em frente daquela casa, e depois de algum tempo, eu percebi que a casa ficava cada vez menos recuada, isso me dava arrepios, pois eu nunca havia visto nada igual, e pelo visto, nunca veria de novo.

     Eu acompanhava aquilo todo mês, e como eu sempre esperava, a casa chegava cada vez mais perto da rua, até o dia em que o pobre do quintal sucumbiu a tal avanço da casa, que foi dentro de mais ou menos coisa de 2 meses. Em mais 3 meses de espera, a casa já alcançava o portão do terreno, vocês já devem estar se perguntando se nesta casa ninguém estranhava nada. Mas é claro que estranhavam, mas o amor e o afeto que eles tinham por ela os impedia totalmente de se mudar dali, no entanto havia até um grupo de cientistas estudando se era fisicamente possível o avanço da casa com todos os membros e até o chão juntinhos.

     Quando a casa estava absurdamente a meio metro dentro da rua, saiu até no jornal, nas revistas e inclusive na tv, como a reportagem mais assustadora de todos os tempos, ninguém conseguiu mais ter aulas. Pouco depois, completamente longe de seu local de origem, acredite ou não, a casa DECOLOU, decolou sim!  Foi para o alto com apenas uma pessoa, uma criança que disse: “Daqui não saio!” e foi ficando até mesmo no momento da decolagem, foi para longe, junto à casa que sempre foi o seu lugar de aprendizagem, e até que continuou a ser, pois conheceu outras culturas.

Deixe-me explicar melhor: a casa “caiu” em outro país, depois decolou de novo, e assim foi durante anos de sua vida junto a casa. Depois de girar todo o globo terrestre ela (a casa e o menino, ou melhor dizendo, o homem) regressou ao lar  com muita experiência e fama, afinal, ele rodou o mundo inteiro e com uma CASA, mas ele voltou também com idéias, montou até uma escola com a mesma casa que voltou para o mesmo terreno e lugar, lá ele ensinava para adultos, jovens e crianças  as artes do mundo, taikendô, Judô, Aiki-dô, Jiu jitsu e por aí vai, e ele aprendeu isso tudo com o mundo todo.

     E esta é a história de um menino, meu filho! E tenho muito orgulho dele, afinal temos tantas “culturas marciais” hoje em dia, e tudo graças ao menino que já era homem muito antes de saber.

Uma resposta para “A casa andante”

  1. Züsselle disse

    Amei este texto. Conhecer realmente nos leva looonge!
    Pra quem conhece o lugar, a referência parece ser o local onde é o Dojo do Mestre Humberto.
    Bejins da mammy! :)

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